A situação política e económica da Europa – O mesmo olhar, duas visões distintas (Parte 2)

Tiago Esteves
Após a breve reflexão à situação política Francesa e às correspondentes consequências da recente mudança, passemos agora à situação da Grécia. Nos últimos meses a Grécia tem sido particularmente penalizada pela austeridade. Justamente penalizada, na minha opinião. Assistiu-se durante anos a um descalabro político neste país, de tal forma que começava a distanciar-se em demasia da típica imagem de seriedade que os países Europeus transmitem para o exterior, imagem sob a qual eclodiu a moeda única.

A dureza da austeridade provocou um impacto severo e previsíveis consequências políticas, levando múltiplas manifestações às ruas e fazendo mesmo cair o governo de Papandreou. Novas eleições foram marcadas, condicionadas à partida pelo governo da Troika, que necessitaria apenas de um governo com maioria para continuar o caminho da austeridade

A realidade das eleições espelhou a divisão que os Gregos têm feito transparecer, colocando de um lado os que não querem pagar, do outro lado os que querem permanecer no Euro, e no meio os que não querem pagar mas querem continuar no Euro. Esta última posição parece certamente a mais apetecível e, apesar de ela própria ser toda uma incongruência, tem sido a mais próxima da realidade.

Enquanto Europeu este parece-me um caminho deveras errado, que tem custado tempo, dinheiro e reputação a um enorme conjunto de países, por uma economia que representa uma pequena fracção da economia da zona Euro. Enquanto Português, não deixa de me parecer errado continuar a defender um país que não tem vontade de fazer sacrifícios e permanecer na zona Euro, um país que em nada pode ser comparado a Portugal, Irlanda ou Espanha. Só uma visão puramente contabilística da realidade pode confundir economias, povos e realidades tão distintas como as que aqui estão em causa.

A fragmentação parlamentar provocada pelas eleições manterá o nível de incerteza na Europa, levando à manutenção de um sentimento negativo generalizado, nem sempre fácil de fundamentar. Na minha perspectiva, o regresso da Grécia ao Dracma será inevitável. Quando tal acontecer, quando se amputar a necrose em vez de se insistir na sua regeneração, não será só o Euro a ganhar mas também os periféricos que se conseguirem manter até que tal venha a acontecer. E só depende desses periféricos, como Portugal, provar que os erros do passado foram uma fonte de aprendizagem e uma oportunidade para potenciar o que temos de bom, erradicando de vez os pontos de necrose que também nós temos por cá.

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