Soa o alarme no mercado habitacional

Tiago Esteves
A recente decisão do tribunal de Portalegre, deliberando que a entrega de um imóvel ao banco seria o suficiente para saldar a dívida existente, poderá acelerar o processo de queda do mercado habitacional. Esta decisão surge em linha com o que Espanha já legislou, esperando-se que em breve esta situação passe a ser lei também em Portugal.
 

Consequências práticas: 
1 – Os bancos continuarão a fazer uma avaliação cada mais rigorosa dos créditos, diminuindo significativamente a avaliação dos imóveis para se protegerem;

2 – Os cidadãos em situação de forte constrangimento económico verão a decisão de entrega do imóvel ao banco facilitada, inundando (ainda mais) o mercado com imóveis para venda;

3 – Os bancos terão em mãos milhares de casas às quais não conseguirão dar saída sem baixar significativamente os preços (spreads mais baixos e zero comissões não deverão ser suficientes);

4 – À semelhança do que aconteceu nos US, mesmo quem não tem constrangimentos financeiros poderá devolver a sua casa ao banco se tiver a noção que esta desvalorizou significativamente, recomprando-a de seguida a um preço muito mais baixo;

5 – Instalar-se-à um sentimento de negativismo semelhante ao que se vive em Espanha, levando quem quer comprar a adiar ao máximo essa decisão, na expectativa de que as quedas no mercado continuem;

6 – As empresas construtoras (que sobreviverem) deixarão de apostar de forma agressiva na compra de terrenos com viabilidade de construção, levando a que os preços destes baixem para valores racionais. Na minha opinião a principal causa da bolha imobiliária no nosso país passa pelo exagerado valor dos terrenos de construção. É a única explicação (minimamente) racional que encontro para que um artigo usado possa ter mais valor do que um novo!

Conclusão – Apesar da ideia que os agentes imobiliários e os bancos têm feito passar, que este será o momento certo para comprar habitação pelos descontos que já se verificam, o pior estará provavelmente ainda para chegar. E se o preço médio dos imóveis cair mais 30-40% nos próximos 3/4 anos eu não ficarei de forma alguma surpreendido.

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