A NOSSA LINHA DO TEMPO

Aqui se começa a escrever o futuro. Praticamente uma década depois de ter começado um espaço pessoal e de o ter mantido durante todo este tempo de forma individual, em jeito de “one man army”, decidi que é tempo de o abrir a outros. Deixa de ser um blogue pessoal para ser um site dinâmico com participações de terceiros, voltado ele próprio para o futuro. Não falo de jornalistas, nem teóricos da finança. Procurei por pessoas como eu, que estivessem dentro do mercado com regularidade e sofressem no bolso com as flutuações do mesmo. O objetivo principal deste novo projeto passa assim pela criação de um espaço de referência para a partilha de opiniões, de investidores para investidores. É a visão desses que enriquece quem lê, e que faz de espaços como este um instrumento de (algum) valor acrescentado para quem investe.

Os anos durante os quais desenvolvi o doutoramento, iniciado e concluído enquanto mantinha em paralelo uma atividade profissional totalmente independente, foram riquíssimos em falta de tempo para tudo o que não fosse essencial para o meu dia-a-dia. Aqui se incluiu muitas vezes a negociação. Essa “falta de tempo para ganhar dinheiro”, que eu tantas vezes critiquei em outros, acabou por me afetar de forma algo irónica. Foi este estímulo que me levou a começar a negociar com expert advisors (mais conhecidos como robots de negociação). Não tenho dúvidas que a automatização será o futuro da negociação, e este foi um passo essencial para a necessária modernização da forma como faço a gestão do meu portfólio.

O gosto pela análise técnica e psicologia de massas acabou por levar-me ao campo da investigação. Começava nesta altura o doutoramento em comportamento organizacional, de onde extraí entre outras coisas uma visão muito particular sobre a influência dos estilos de liderança numa organização para os resultados em bolsa da mesma. Apesar de raramente escrever de forma directa sobre esse tema, é algo que começou a enraizar-se na minha metodologia de triagem fundamentalista. Começava também em simultâneo outra aventura, dirigida ao campo da formação em mercados financeiros. A pedido de muitos leitores, comecei a desenvolver cursos de análise técnica em Lisboa e no Porto. Ao longo dos últimos anos tive o prazer de conviver com centenas de alunos, que provavelmente me ensinaram mais do que eu a eles sobre os mercados. Em termos de negociação, reduzia cada vez mais o scope de produtos e instrumentos negociados, limitando-me de forma quase exclusiva aos que me vinham trazendo ganhos consistentes e sustentados.

Durante o período do meu mestrado, altamente vocacionado para a gestão operacional, aprendi muitos princípios de análise fundamental que até então me faltavam. Este passo acabou por moldar o meu pensamento negocial, começando a dedicar-me então à negociação com base em análise técnica de empresas previamente triadas com recurso a análise fundamental. Comecei também a publicar, embora apenas esporadicamente, algumas análises puramente fundamentalistas. Foi neste período que comecei a refinar o meu interesse por instrumentos de dívida como as obrigações.

Já com alguma experiência acumulada, derivada de dezenas de erros, decidi criar um espaço de partilha. A criação de um blogue nasceu da tentativa de fazer com que erros básicos como os que eu cometi não continuassem a ser cometidos pelos que todos os dias se iludem como eu me iludi. Além disso, descobri também que a participação activa em fóruns e outros espaços públicos deixava a nu o meu raciocínio de negociação, algo que é extremamente útil quando corremos o risco de encaixar perdas se o nosso plano tiver falhas. Nesta fase dedicava-me sobretudo à análise dos mercados tendo por base a análise técnica, e cada vez comecei a restringir mais os títulos e mercados onde investia. Finalmente começava a encontrar o caminho para atingir resultados positivos de forma sustentável.

Fortemente decidido a prosperar nos mercados, percebi que só o iria conseguir se recomeçasse da forma tradicional. Estudando, de forma a deixar de cometer básicos de principiante. Analisando, de forma a tornar a minha abordagem mais profissional. Li várias dezenas de livros dedicados sobretudo a análise técnica e psicologia de trading, provavelmente mais do que durante a própria licenciatura que ia fazendo em simultâneo. Na base desse estudo estava a teoria de Dow, das ondas e das marés, e com ela um princípio simples: bastava surfar a tendência para prosperar nos mercados. Começou nessa fase o meu interesse pela negociação posicional, a favor da tendência, e o recurso primário a acções e CFD’s para o posicionamento longo e curto. Muitos erros foram cometidos neste período, grande parte deles decorrentes da falta de noção sobre os perigos da alavancagem. Investia nesta altura em todos os mercados possíveis e imagináveis, talvez procurando um rumo ou estilo próprio.

A minha aventura nos mercados financeiros iniciou-se pouco após o desmoronar das Dot-Com. Como grande parte dos que começam nos mercados, também eu comecei ambicioso e a tentar enriquecer no mais curto espaço de tempo possível, através da negociação de penny stocks e warrants. Infelizmente, sabia pouco ou nada sobre o funcionamento e dinâmica dos mesmos, e dificilmente poderia ter escolhido pior timing para me iniciar. “Se tantos encontram o sucesso e enriquecimento rápido nos mercados, eu serei apenas mais um” – pensava. Como é óbvio, isso não aconteceu. Tal como não acontece com a maioria dos que se iniciam nos mercados. Pouco após o início da experiência, acumulava já uma perda superior a 70% na carteira de negociação.

Tiago Esteves

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Especialista em Análise Financeira

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