Standard & Poor’s sobe ‘rating’ de Portugal com perspetiva estável

Agência Lusa

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A agência de notação financeira Standard & Poor’s (S&P) subiu o ‘rating’ de Portugal de ‘BBB-‘ para ‘BBB’, dois níveis acima do grau de investimento especulativo, com perspetiva estável.

“Estamos a subir o nosso ‘rating’ de Portugal para ‘BBB/A-2’ de ‘BBB-/A-3’. A perspetiva é estável”, indica a agência de ‘rating’ no comunicado divulgado.

A S&P passa, assim, a ter a mesma avaliação para a dívida soberana portuguesa que a Fitch e a DBRS, que também avaliam a dívida pública portuguesa em ‘BBB’ com perspetiva estável.

“Esperamos que a economia portuguesa tenha um crescimento equilibrado entre 1,5% e 1,7% durante 2019-2021″, indica a S&P, acrescentando que espera que Portugal continue, nos próximos três anos, a registar excedentes orçamentais primários, excluindo os pagamentos com juros, “mantendo o rácio da dívida pública face ao Produto Interno Bruto (PIB) num caminho firme de redução”.

A agência de ‘rating’ refere também que a perspetiva estável projeta as expectativas de que, ao longo de 2019-2022, o rácio da dívida pública em relação ao PIB continuará a descer, à medida que a economia cresce, apesar dos riscos relacionados com “os elevados, apesar de descendentes, níveis de dívida” e de um “ambiente externo mais incerto”.

A S&P adianta que pode melhorar a sua avaliação de Portugal se a economia gerar maiores excedentes e apresentar um crescimento superior aos principais parceiros.

Mas refere, igualmente, que pode descer o ‘rating’ de Portugal “se os recentes progressos na redução da dívida pública em percentagem do PIB estagnarem ou as autoridades reverterem reformas passadas que beneficiaram a flexibilidade do mercado produtivo e do trabalho em Portugal”.

A explicar a melhoria da nota atribuída a Portugal, a S&P indica que o excedente primário de 2018, de perto de 3% do PIB, “foi um dos mais elevados da zona euro e da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), “colocando o rácio da dívida pública em relação ao PIB num caminho descendente firme”.

A agência de ‘rating’ também considera “credível” a meta do Governo português de ter um ‘superavit’ orçamental até 2020, incluindo despesas com juros, com base nas “perspetivas de crescimento conservadoras”, a refletir os efeitos da desaceleração económica na Europa.

A S&P diz também que “as autoridades portuguesas tomaram as medidas adequadas para, pelo menos, atenuar os efeitos de um potencial ‘Brexit’ sem acordo no turismo, um dos principais motores do crescimento e da resiliência da balança de pagamentos desde 2012”.

A agência de ‘rating’ indica igualmente que as exportações representam atualmente 43,3% do PIB, o que corresponde a “um aumento de mais de 16 pontos percentuais (p.p.) desde 2005”, e que a economia portuguesa conseguiu amortizar dívida externa em perto de 4,5% do PIB ao ano desde 2014.

Outra razão apontada é o facto de as autoridades terem aproveitado o recente período de baixas taxas de juros para alargar o prazo médio da dívida soberana para oito anos, enquanto o custo médio de financiamento se fixou em cerca de 2,8%.

Além disso, indica a agência de notação, as condições de crédito em Portugal convergiram para as médias da zona euro.

Relativamente às previsões de crescimento, a S&P está menos otimista que o Governo, antecipando “um ligeiro abrandamento económico cíclico” em 2019, refletido num crescimento de 1,7% do PIB, quando o executivo antecipa uma expansão de 2,2% este ano.

ECR // SR/MSF

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