Tribunal constitucional presta favor político ao governo

Tiago Esteves
O tribunal constitucional prestou ontem um favor político ao governo e um mau serviço ao país. Fosse esta medida legítima e não politizada e a suspensão dos cortes seria imediata. Dá-se assim um argumento ao governo para justificar perante a troika que se compense o défice aumentando a receita, em vez da fundamental diminuição da despesa. Adia-se assim a necessidade de rasgar contratos de PPP’s ruinosas, entre muitos outros malabarismos politico-economicos. O primeiro-ministro estava mais do que à espera desta notícia! (prova disso foram os trajes que usou ontem na entrevista de rua: ouro sobre azul…)

Falando agora de equidade, se a Autoeuropa ou a mercearia da minha rua estiverem num estado de pré-falência, vai o estado pedir aos funcionários públicos que entreguem quase um décimo do seu ordenado para evitar que os funcionários desses estabelecimentos privados sejam despedidos? Não é o que se tem visto… Então por que motivo hão-de esses trabalhadores privados dividir o seu ordenado para que o patrão desses funcionários públicos não os despeça? Equidade é retirar um ou dois subsídios a todos os funcionários públicos para que se evitem despedimentos de 70-80 mil. Inequidade é despedir 70-80 mil funcionários públicos para que todos os outros possam receber os seus benefícios na totalidade. Idiotice é cortar-se a toda a gente, mesmo aos milhões que não têm culpa que a entidade patronal dos funcionários públicos não tenha dinheiro para todos eles.

Infelizmente para os funcionários públicos, os cortes vão manter-se. Infelizmente para os funcionários do privado, os cortes confirmam-se. E os cortes na gordura continuam a fazer-se sentir apenas no prato dos portugueses. Na gordura, na carne, no peixe…

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