Triple Screen Trading System Adaptado

Tiago Esteves

O sistema de trading que aqui apresento foi inspirado num sistema criado por Alexander Elder. O método descrito vai muito de encontro à minha forma de negociar e, com as adaptações inseridas, pode mesmo ser utilizado como complemento ao método das entradas tendenciais.
A ideia fundamental deste screener é filtrar de forma efectiva todos os títulos analisados, em três fases. Assim, os títulos que pareçam atractivos à primeira vista, poderão ser postos de parte numa das fases seguintes. A grande vantagem deste método está no facto de negociarmos a favor da tendência principal e contra a tendência secundária, ajudando-nos a encontrar o ponto de viragem nos ressaltos. O ponto em que o mercado recupera a tendência principal.

Como o próprio nome indica, este indicador baseia-se em três filtros. O primeiro detecta a tendência principal, o segundo detecta a tendência secundária e o terceiro detecta o ponto de viragem. Vamos então olhar para cada um deles de forma mais detalhada.

Primeiro filtro – Tendência Principal
Nesta fase, deve ser feita uma análise da big picture, identificar se a tendência principal é de subida ou de descida. Enquanto na ideia original o autor se auxilia de indicadores para definir a tendência vigente, eu prefiro utilizar as tradicionais linhas de tendência. No gráfico semanal, basta traçar uma linha de tendência com um mínimo de consistência para sabermos se a tendência é de subida ou de descida. Saliento que deve ser “com um mínimo de consistência” pois não é necessário tanto rigor como quando fazemos entradas tendenciais.
No exemplo que vou deixar, a linha foi inclusivamente quebrada uma vez (mas recuperada), não sendo este facto relevante para o caso. O mais relevante é não haver quebra efectiva e definitiva, como é óbvio.
Se a tendência não estiver bem definida, aí sim, o melhor será rejeitar o título e seguir para outro.

Segundo filtro – Tendência secundária
O objectivo deste filtro é encontrar rallies no sentido oposto à tendência primária. Utilizando o gráfico em modo diário e um indicador oscilatório, vamos tentar identificar quando é que o referido movimento entra na fase de exaustão. Tenho utilizado o Stochastic como oscilador, já que o autor refere que o RSI reage demasiado tarde e não é por isso adaptável a este screener.

Terceiro filtro – Breakout
É nesta fase que se tenta identificar o definitivo final do rally. Depois de termos passado pelos dois primeiros filtros, é altura de colocarmos uma ordem de compra.
Para isso utilizaremos uma entrada definida por um ponto de stop (Não confundir com o conhecido stop de saída. No caso de entradas longas, o ponto de activação está acima do preço de mercado e só vai disparar se a cotação tiver força para subir até esse ponto).
Neste caso, que é respectivo a uma entrada longa, o stop de entrada ficaria imediatamente acima do máximo intraday atingido nas últimas duas sessões (a da véspera ou da ante-véspera, aquela que tiver atingido o valor mais elevado). Este stop deve ser actualizado diariamente, até ser disparado.
Se a cotação tiver força para atingir esse ponto, então o stop é activado e estamos dentro, partindo-se do pressuposto que o rally acabou e que a tendência principal vai ser retomada.
Depois de estarmos dentro, é essencial definirmos um ponto de saída, para o caso de ser um falso breakout. O ponto de saída será encontrado de forma similar ao ponto de entrada, ficará situado imediatamente abaixo do ponto mínimo atingido nas duas últimas sessões. Caso o trade “pegue”, existem várias formas de sair, dependendo do perfil do investidor. Pessoalmente, vou utilizando o sistema de stop recomendado até atingir o break-even e depois deixo correr os lucros e só saio quando detecto sinais de fraqueza no movimento.
Esta parte é relativamente simples, mas algo complicada de explicar. Se ficar alguma dúvida, coloquem que eu esclareço mais detalhadamente.

E nos títulos com tendência descendente?
Por acaso escolhi uma acção em movimento ascendente (coisa rara hoje em dia) para dar o exemplo, mas o sistema pode ser aplicado também em tendências de baixa. É tão simples como inverter todo o processo!
Caso restem dúvidas em algum ponto do processo invertido, manifestem-se e eu deixo um exemplo para o lado curto.

Disclaimer
Este comentário é uma opinião pessoal, não deve ser confundido com uma recomendação de compra ou venda. As compras e vendas são da responsabilidade do investidor, bem como os lucros ou perdas resultantes.

Comment List

  • canguru 04 / 02 / 2009 Reply

    Tiago, antes de mais parabén pelo teu bolg e pelos terus posts.

    A questão que te vou colocvar prende-se com o money manegement depois de detectares pontos de entrada e stop losses no 3º ecrã.

    Entrada: 31,8€
    Stop loss: 29,5€
    %Pot.perda: 7,2%

    O Elder, assim como outros, fala da regra dos 2% como perda máxima por trade. Tu inteepretas esses 2% face ao total da tua conta de trading ou 2% face a essa entada?

    Um abraço

  • Tiago Esteves 05 / 02 / 2009 Reply

    Olá Canguru,
    Essa questão está bem vista e é importante. O ideal seria termos um sinal com o stop mais próximo. Não acontecendo isso e se nós acharmos que é uma oportunidade a não perder temos de reduzir a exposição.
    Imagina que a tua exposição habitual num título é de 5000€. Neste caso terias de reduzir a exposição para cerca de 1300/1400€ para a perda “habitual” se manter.
    Depois é só uma questão de fazer as contas, se realmente compensa negociar nestas condições, com as comissões e tudo o resto.
    Espero ter esclarecido.
    Abraço

  • canguru 05 / 02 / 2009 Reply

    Viva Tiago!

    Acho que percebi o teu ponto:
    5000€ – 2%
    1400€ – ~7,2% q(ue falava no meu post)

    De qualquer forma dizes que “Imagina que a tua exposição habitual num título é de 5000€” pergunto-te se esse raciocinio seria válido para “Imagina que a tua conta total para trading é de 5000€”.

    Um abraço

  • Tiago Esteves 06 / 02 / 2009 Reply

    Isso já depende da forma como normalmente constituis as tuas posições. Se me disseres que colocas todo o dinheiro na mesma posição, então eu dir-te-ei que a estratégia será a mesma. Se me disseres que a exposição é 1/4 do total da tua conta, então os 1400€ teriam também de ser divididos em 4 partes, para a tua perda total (em relação aos outros negócios que costumas fazer) se manter inalterada.

    Claro que aqui faria sentido, mais que nunca, olhar para o peso das comissões no trade, já que poderiam comprometer seriamente o sucesso da operação.
    Espero ter esclarecido.
    Abraço

  • Money Greedy 07 / 02 / 2009 Reply

    Olá Tiago, tenho acompanhado os teus posts aqui, no caldeirão e no clubinvest e tenho um reparo grande a fazer-te, que é pedires desculpa, segundo as tuas palavras, por mais uma sondagem… Nós é que agradecemos. Não sei o suficiente para avaliar com propriedade os teus conhecimentos, mas de qualquer maneira és muito pedagógico e humilde, gostei de ler a descrição dos teus primeiros negócios na bolsa.

    Só uma pergunta, no primeiro filtro, quando referes gráfico semanal, é um gráfico com velas semanais certo? Suponho que por ser para analisar um gráfico com uma escala de tempo alargada.

    Desde já obrigado.

  • Tiago Esteves 07 / 02 / 2009 Reply

    Olá Money Greedy,
    Muito obrigado pelo teu comentário, é importante para mim sentir que o que faço é reconhecido:)
    Em relação à tua questão, sim, é com velas semanais.
    No estudo do longo prazo, é mais acertado olhar para o gráfico semanal, já que o “ruído” é muito menor.
    Espero ter esclarecido.
    Abraço

  • canguru 08 / 02 / 2009 Reply

    Viva Tiago,

    Ao passar os olhos no “Welcome to my trading room” do Elder, fiquei com a ideia que (certa? errada?) que o regra dos 2% deve ser referente á tua conta de trading e não a cada trade..

    Mas pensando melhor à aqui qualquer coisa que não está claro. Imaginemos uma conta de 5.000€, se os 2% de máxima perda forem referentes ao total da conta de trading, isso significaria 100€ por trade. Se abrisse 5 posiçóes, isso queria dizer que arriscava 500€ ou seja 10% do total da conta.

    Pelo que de facto a tua interpretação deve estar correcta. A propósito disso referências-me algum site / livro onde possa ver esse tema abordado de forma mais explicita?

    abraço

  • Tiago Esteves 09 / 02 / 2009 Reply

    Canguru,
    Se não estou em erro o Elder diz que cada trade não pode colocar em risco mais de 2% do total da carteira e que não deverão estar em aberto mais de 3 posições deste género em simultâneo.
    Não tenho a certeza de foi no Elder que vi esta regra, mas penso que sim.

    Olha, dá uma vista de olhos do “A trader’s money management System” do Bennett A. McDowell.
    Existe “por aí” em PDF:)
    Abraço

  • Tiago Esteves 09 / 02 / 2009 Reply

    Ah, deixa-me esclarecer que as minhas respostas têm sido baseadas num pressuposto de “perda máxima” e não em relação a uma percentagem fixa. Para os investidores com carteiras pouco arrojadas, no meu entender faz mais sentido do que utilizar regras percentuais rígidas

  • Milton Junior 19 / 05 / 2013 Reply

    Prezado,

    Primeiramente gostaria de te dar os parabéns pelo post. O triple screem me ajudou muito em meu desenvolvimento como trader e, consequentemente, aumentou os meus lucros e diminuiu as minhas perdas.
    No mercado forex procuro praticá-lo em demasia, procurando entradas de compra em tendência de alta ou de venda nas de baixa.

    Att,
    http://www.investiremforex.com

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