Uma análise à Sonae Indústria e uma lição de Money Management

Tiago Esteves
Deixo um novo update à Sonae Indústria, numa altura em que ela agudiza o seu ciclo correctivo. Como eu tinha dito por altura da última análise, quando negociamos com base num gráfico semanal não deveremos ter o mesmo nível de exposição do que quando negociamos tendo por base o gráfico diário. Porquê? A escala é outra e a distância entre pontos é completamente diferente do ponto de vista percentual. Quando fazemos um negócio com base no gráfico diário e o nosso ponto de stop se encontra a 5% de distância do local de saída podemos ter uma exposição 5 vezes superior ao que teríamos num negócio em que o stop se encontra a 25% de distância!

Um exemplo concreto: Imagine-se que a minha perda aceitável são 200 euros por negócio. Se o meu stop está a 5% de distância eu posso comprar acções com um valor equivalente a 4000 euros para aquele negócio. Se as coisas correrem mal e eu for stopado perco os tais 200 euros, o máximo que quero perder por negócio. Ora, se o meu stop está a 25% de distância e se só suporto 200 euros de perda não posso comprar os mesmos 4000 euros de acções! Nesse caso só poderei comprar o equivalente a 800 euros de acções…

O que acontece na maioria das vezes, quando alguém que tem pouca experiência de money management abre uma posição num timeframe diferente? Não é feito o ajuste da posição de acordo com a perda máxima aceitável. A partir do momento em que a correcção entra de forma demasiado profunda no nosso bolso, e a partir do momento em que a perda máxima aceitável ultrapassa o nosso limite psicológico de tolerância, começamos a entrar em sofrimento. É isto que se quer evitar ao máximo nos mercados, o sofrimento devido a um drawdown…

Quando eu abri a minha posição de base na Sonae Indústria fi-lo tendo em consideração um timeframe muito lento, com stops temporalmente e percentualmente distantes. Estava e estou preparado para uma descida de 20, 25, 30% se for o caso. Porque sabia que isso poderia acontecer, porque de facto após termos assistido a uma subida superior a 100% em menos de meio ano seria perfeitamente normal uma correcção mais acentuada. A minha posição de longo prazo mantém o stop nos 0,55€ e não existe para já qualquer motivo para alterar essa referência. Especialmente agora, que estamos acima da zona de suporte e com o volume em tendência decrescente. Isto é a estratégia de longo prazo (continua abaixo da imagem).

Não querendo introduzir demasiada confusão neste post, quando negociamos diferentes timeframes podemos em casos extremos ter estratégias opostas sem que nenhuma delas esteja incorrecta. Ora, a Sonae Indústria foi um desses casos para mim. Mantendo a posição de longo prazo aberta, detectei no gráfico diário um padrão que poderia ser de inversão de curto/médio prazo, um triângulo de topo em formação. Sabia que se o limite inferior quebrasse poderíamos ter uma correcção. Em condições normais shortaria este título na quebra em baixa do padrão. Neste caso, como tinha uma posição de longo prazo, optei por colocar um stop parcial nessa posição abaixo da linha de guia do padrão.

Como podem calcular, uma parte da minha posição longa acabou por ser stopada nos 0,76€, ficando assim a minha exposição longa mais reduzida durante a retracção. A restante posição manteve-se fiel ao plano original e pondero agora reabri-la na aproximação à zona de stop de longo prazo, uma zona muito mais forte e significante do ponto de vista técnico.

Concluindo, que este post já vai longo e confuso: Se é verdade que no curto prazo a Sonae Indústria tem mostrado alguns sinais de fraqueza, não é menos verdade que no longo prazo mantém o bom aspecto do ponto de vista técnico. Enquanto os 0,55€ não forem quebrados em baixa não vejo quaisquer motivos para fechar em definitivo a minha posição nesta cotada.

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Comment List

  • Hugo O'Neill 26 / 03 / 2014 Reply

    Exelente lição de Money Management, que nem sempre os investidores, especialmente os novatos, têm presente.

  • joão torresini 26 / 03 / 2014 Reply

    muito bom o post!

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