Uma explicação para as recentes alterações na estratégia e na análise

Tiago Esteves
Como hão-de ter reparado, nas últimas semanas fiz algumas alterações na forma como analiso os títulos e na estratégia por detrás da negociação. Essa alteração na análise passou sobretudo pela valorização do timeframe horário, e deveu-se em grande parte à mudança de sentimento nos mercados mundiais. Os bear markets têm características muito distintas dos bull markets, e uma das principais passa pelo aumento da volatilidade. Quando negociamos em contextos diferentes temos, a bem da rentabilidade da nossa carteira, de fazer adaptações de forma a sobrevivermos. Ao reduzir o timeframe de negociação diminuí também a duração média potencial dos meus negócios, e apertei os stops (reduzindo o risco potencial associado ao aumento da volatilidade). Poderei assim continuar a aproveitar a euforia ascendente associada a um ressalto de bear market – as chamadas bull traps – mas sem correr o risco de me deixar iludir na espera de um movimento temporalmente mais prolongado.

A outra alteração foi estratégica. Reintroduzi na negociação um mecanismo que utilizo sobretudo em mercados marcados pela incerteza, o take profit parcial nos padrões de inversão. Enquanto que em condições normais utilizo o padrão de inversão para detectar uma potencial alteração de tendência e sigo essa corrente até surgirem sinais concretos de inversão, quando a incerteza e a volatilidade reinam opto por trancar metade do lucro na projecção do padrão, passando o negócio para o break-even mesmo antes de mover o stop.

Além destes motivos tácticos, a natureza dos intervenientes no mercado que participam neste espaço também acelerou a mudança na análise. Durante anos dediquei-me sobretudo à publicação da análise ao timeframe diário, porque acredito que é o timeframe que apresenta uma melhor relação risco-retorno-tempo disponível para negociação. A verdade é que esse timeframe tem sido algo incompreendido, sendo por vezes exigidos resultados de curto prazo a padrões de médio prazo.

Espero que a associação dos dois timeframes venha permitir aos mais ansiosos previsões numa óptica de curto e médio prazo, e aos mais ocupados previsões de longo prazo, agregando assim o melhor dos dois mundos.

Comment List

  • Rafa 20 / 10 / 2014 Reply

    Viva Tiago!

    Mais uma vez obrigado por esta partilha. Eu próprio, adoptei essa estratégia para me desfazer de posições longas que inverteram a sua tendência dominante.

    Não fui fiel à minha estratégia e aumentei as menos valias em algumas cotadas. Acreditando num possível ressalto nessas cotadas (fundamentado por diversos factores) comecei a recorrer aos gráficos horários para tentar encontrar padrões de inversão para poder definir o ponto de saída.

    Aqui saliento apenas o risco de começar a confundir os timeframes e a análise que se pode fazer de cada um. Não utilizo gráficos horários para definir posições de longo prazo. Quanto maior o prazo a que vou estar exposto, maior o timeframe de gráfico que utilizo. Normalmente o diário sempre foi a minha referência e continua a ser, mas neste tipo de situações como referi anteriormente parece-me que o horário pode dar informações muito valiosas.

    Neste momento estou à procura de corretora para poder abrir posições curtas. Recorrendo a um post que também publicaste neste espaço, quando podemos abrir posições em qualquer dos sentidos, conseguimos ter uma visão muito mais clara do mercado sem correr o risco de sermos (perigosamente) influenciados pela nossa vontade.

    Cumprimentos.

  • Tiago Esteves
    Tiago Esteves 20 / 10 / 2014 Reply

    Olá Rafa,
    Essa questão é importante, ainda bem que a salientas. De facto, um dos riscos da análise mista passa pela confusão de estratégias. Ou se tem tudo bem delineado previamente, ou corre-se o risco de se começar a procurar explicações para alterar o plano em timeframes diferentes só porque as coisas estão a correr mal. Vou ter de focar essa questão num post posterior, porque de facto é um problema muito comum e não ficou devidamente clarificada.
    Obrigado

  • Daniel Pires 20 / 10 / 2014 Reply

    Bom Post Tiago

    Sem duvida quem quer aproveitar resaltos tem que aproveitar time-frames mais baixos.

    NO entanto para esta estrategia de contra tendencia aconselho tenta ir aos graficos de 15m pois o stop loss e stop profit podera ser mais apertado mantendo o risco ganho igual(1/3), neste caso como a diatancia ao stop loss diminiu logo o tamanho de posição aumenta pelo que sem duvida nenhuma poderas utilizar CDF's para alavancares sem aumentar o risco e assim aproveitar o capital pata posicções de tendencia.

    O unico problema do meu conselho para mudares para os graficos de 15m é o grau de fiabilidade das formações graficas em mercados pouco liquidos como o Portugues

  • Tiago Esteves
    Tiago Esteves 20 / 10 / 2014 Reply

    É verdade Daniel. Gráficos de timeframes como 5 e 15 minutos obrigam à negociação de acções bastante líquidas. Caso contrário não vale a pena. Outra limitação, que para mim é a maior, é a disponibilidade temporal necessária. Os gráficos de 15 minutos obrigam a um acompanhamento permanente (ou, pelo menos, regular intraday). Os gráficos com velas horárias, com os devidos ajustes prévios à estratégia e a colocação de stops, permitem negociação end of the day, o que para mim é o ideal.

  • yautja 20 / 10 / 2014 Reply

    Ola Tiago.

    Concordo plenamente com a combinação do timeframe horário e diário. Temos que caçar com com as armas adequadas. E se nestas proximas semanas queremos caçar touros em território de ursos temos que estar mais atentos que nunca, ou viramos comida para os mesmos.
    Para nós ( entendo que seja a maioria dos que acompanham o blog) acompanhamos o andamento dos mercados no final do dia ( podemos espreitar os mercados esporadicamente durante o dia) não me parece que faca grande sentido reduzir o timeframe para inferior a horário, porque no dia a seguir ja pouca validade teriam.

    Procurar resultados rápidos nos mercados financeiros normalmente dá asneira.

    Bons negócios. ……

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