Uma palavra aos accionistas do Banif (e, já agora, à CMVM)

Tiago Esteves
A situação que o Banif está a viver não pode ser considerada normal. Nenhum título cai 50% em 6 dias e recupera outros 50% num dia sem um motivo válido. E rumores baseados em fugas de informação não são um motivo válido! O que mais me cansa nestes processos é a postura amorfa da CMVM, que continua sem armas nem coragem para enfrentar fugas de informação. É inadmissível que os accionistas do banco (não é o meu caso, que fique claro) recebam notícias importantissimas quanto ao futuro do mesmo através dos jornais económicos. Acham isso normal? Na Coreia do Norte, provavelmente sim. Na Europa civilizada, gosto de acreditar que não. Repare-se que eu até acho que a CMVM faz o que pode com os meios que tem, e que o orçamento que lhe reservam não dá para muito mais do que chatear pessoas como eu, que escrevem o que pensam, e para suspender acções de clubes de futebol quando os seus funcionários lêem no jornal desportivo durante a pausa do meio da manhã que foi anunciada uma transferência milionária! Mas então que se encerre o mercado português, e assim ficamos obrigados a olhar de forma exclusiva para o exterior.

Uma nota rápida relativamente à “notícia” da procura de compradores para a posição do banco. Recordam-se que o estado o anda a tentar fazer há meses, a tentar vender acções a 1 cêntimo quando elas estão a um décimo do valor? Manter a estratégia não é, de todo, frutífero. Mas, por outro lado, como vai explicar o PCP ao seu eleitorado que o “seu” governo está a vender uma posição na banca ao desbarato e contra tudo o que defenderam desde o BPN? Ainda vai dar pano para mangas, esta história….

Fica agora então a mensagem aos accionistas, aos presentes e aos futuros. Tenham muita atenção à tomada de posições no Banif e aos riscos que daí poderão advir. Não quero com isto dizer que o título vai subir amanhã mais 100%, ou que vai cair mais 50. Nem vou entrar nessa guerra, tal é a incerteza a nível técnico e fundamental. A questão é mais profunda, estratégica. Quando se tem uma posição altamente perdedora, manda a prudência que pelo menos não se lhe faça nenhum reforço. Poder-se-ia discutir se seria ou não sensato reduzir a exposição à mesma num momento de ressalto (e penso que já sabem a minha opinião relativamente a esse ponto), mas mais importante do que isso será ter prudência no que respeita a um aumento de exposição. Se temos uma posição perdedora já estamos expostos ao título. Continuar a introduzir dinheiro na posição é meio caminho andado para que se tenha uma posição duplamente perdedora pouco tempo depois. Até pode correr bem, mas se as quedas a têm dominado é geralmente por algum motivo. Conhecem aquele provérbio “Fool me once, shame on you, fool me twice shame on me”? Pois bem… Sem querer ser demasiado radical nesta parte da opinião, para não ser contactado pela CMVM, há títulos bem mais interessantes por aí do que o Banif. Os mercados financeiros não deveriam ser utilizados para fazer apostas do tipo “preto ou vermelho”.

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  • hugo garcia 16 / 12 / 2015 Reply

    Boa noite,

    Os acionistas do Banif deverão manter as suas posições?Ou aproveitarem para vender?Obrigado

  • hugo garcia 16 / 12 / 2015 Reply

    Boa noite,

    Os acionistas do Banif deverão manter as suas posições?Ou aproveitarem para vender?Obrigado

  • Tiago Esteves
    Tiago Esteves 17 / 12 / 2015 Reply

    Olá Hugo. Eu não queria entrar muito nessa questão, porque não posso dar qualquer nenhuma indicação de compra ou venda ou algo que a tal se pareça. Mas a minha opinião é muito matemática. Se o Banco vale em mercado uma fracção do valor da dívida que o estado tem, existe um elevado risco de perda total para os accionistas em caso de resolução.
    Cumprimentos

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