Uma vez mais, as linhas de tendência

Tiago Esteves

Ontem foram-me feitas por um colega forense algumas questões sobre linhas de tendência. Dada a sua pertinência, deixo aqui replicadas as perguntas (com a devida autorização de quem as fez) e respectivas respostas.

Uma acção está em queda franca durante cerca de 1 ano, por exemplo, fazendo sucessivamente lower highs e lower lows; existe uma LTD que limita as correcções secundarias que se vão fazendo, sendo a mesma válida pois existem vários toques no periodo.
– Quando é que consideras que a tendência principal é revertida (ao fim de quantas sessões)? Assumes que a tendencia é revertida após um fecho de quantos % e ao fim de que período?

Bem, a tua pergunta está longe de ser uma pergunta fácil. Aliás, existe muito pouco consenso nesta área, no que diz respeito aos diferentes autores.
Uma quebra de até 3% acima da LTd é considerada normal e não lhe deve ser dada muita atenção. Já várias violações desse tamanho podem significar duas coisas: ou a linha está mal traçada ou está a perder força e pode preparar-se para quebrar.

Dando-se a quebra, é importante analisar a forma como esta acontece. Se for feita com fortes volumes, pode ser definitiva. Se acontecer por inércia, pode querer indiciar um período de lateralização. Considero que a tendência foi revertida depois de o último lower-high ser quebrado de forma válida e convincente. Também o tipo de fundo pode ajudar nessa tarefa. No caso de um fundo em W, a tendência inverte quando o padrão de duplo fundo é activado.

Outra questão, no seguimento da anterior: a LTD foi cruzada (na ascendente) durante, por exemplo, 3 sessões sempre com ganhos. Qual o bom ponto de entrada? Aguarda-se o pull-back a essa mesma linha?

Esta é que não reúne mesmo consenso:) Alguns autores defendem a entrada imediata, se a quebra acontecer com fortes volumes. Há uns tempos li uma frase relativa a isso que me ficou na cabeça: “não é suposto um foguetão, quando arranca, voltar à base antes de partir em definitivo”. Entrando-se, deverá ser apenas com uma parte do capital. A outra parte seria então utilizada num eventual retrace. Repara que não estamos a falar de reforçar uma posição perdedora mas sim de completar uma posição que ficou incompleta.

Ora, isto é relativamente simples em padrões horizontais ou em posições a favor da linha. Em posições contra a linha é mais complicado, pois a cada dia que passa o stop fica mais afastado do local de entrada, o que potencia a percentagem de perda. Quando entro puramente baseado na linha quebrada não deixo o stop abaixo da linha, como deveria ser. Se ela arrancar, como é expectável, passo o stop para o break-even (depois disso, para locais de referência) e não permito que o ganho se transforme em perda. Em vez de completar a posição num eventual retrace, prefiro aumentar o preço médio (isto de aumentar o preço médio é capaz de fazer um pouco de confusão:)) se o trade estiver a correr de feição e as resistências horizontais cederem.
Já se a quebra for pouco convincente, prefiro não arriscar uma entrada, pois (como disse acima) é provável que entre em lateralização.

Deixe uma resposta